segunda-feira, janeiro 02, 2012

Como transformar uma mentira em verdade


1h15min, um forte estampido ecoou apartamento adentro e barulho de vazamento. Acordo atordoado pensando que fosse alguma coisa ou alguém dentro de casa. Levanto-me para me certificar se tinha sido alguma coisa no apartamento que passávamos o final de semana em João Pessoa. Quando olhamos para a rua, descobrimos que tinha acontecido uma forte batida de um Fiat Pálio prata em um tronco de árvore, o barulho de vazamento era do motor superaquecido.

Ficamos esperando as vítimas saírem do carro e torcendo que não tivesse ocorrido nada de grave com elas. O para-brisa do lado do motorista estava quebrado, mas não estilhaçado. Apenas com uma marca de impacto. O motorista levanta cambaleante e sai do carro, coloca a mão na cabeça para se certificar se não sagrava, olha o estrago do carro novamente. Frente completamente destruída, a uns trinta centímetros do troco onde bateu. Apenas uma pessoa no veículo. Nenhuma vítima grave.

Outra vez, o motorista leva à mão a cabeça, não apenas para se certificar se sangrava, porém com sinal e desolação. Não acreditava no acontecido. Ainda sem os chinelos e cambaleante, ele retira o celular do bolso e começa a fazer ligações andando de um lado para outro. Liga para um amigo, diz o que aconteceu fala um monte de palavrões, diz a localização da colisão e pede para que o amigo venha até o local do acidente.

A uns dez metros da esquina das Ruas Professora Maria Sales com a Izidro Gomes, vizinhas ao Mercado de Artesanato de Tambaú estava o motorista com o celular na mão ligando para outro amigo e contando o sinistro. Novamente alguns palavrões como se esses fossem interjeições. Ao ver o primeiro amigo, José Mário, assim o interlocutor o chamava, começou a relatar o que aconteceu (nosso apartamento era no primeiro andar e pela janela ouvíamos tudo).

De acordo com o motorista, que descobrimos cambaleava não pelo impacto da colisão, mas por estar alcoolizado, vinha em alta velocidade cochilou e bateu no tronco, não deu para frenar. Quando abriu os olhos já estava com a frente do carro no que tinha sido uma árvore. Não usava sinto de segurança por isso a colisão de sua cabeça no para-brisa. Se o carro tinha air bag não funcionou.

O primeiro amigo começou repreender o condutor. Dizia que já tinha pedido para ele ir para casa dormir, mas teimoso que era, “se achando o machão, o forte” não aceitou.  Deu no que deu. Agora ele precisava de alguém para assumir que estava dirigindo, pois, por estar embriagado, o seguro não cobriria os prejuízos. O condutor disse que o carro era da mãe e que o seguro estava no nome da irmã, mas àquela hora, perto de 1h30min da manhã, não iria ligar para a titular da apólice.  Não a incomodaria. O amigo mais uma vez o repreendeu, dizendo que ele preferia ter o prejuízo a contar para a irmã. O condutor não sabia o número da seguradora. Ligou para o serviço de informação, de seu celular. Deram-lhe o número ele ligou para o reboque. O amigo insistia na versão de outro motorista.

Nesse ínterim, chega um segundo amigo. Ele conta a mesma versão do sono, alta velocidade e embriaguez. Parecia que eles estavam bebendo antes, pois o primeiro amigo contou que o tinha visto “alterado” e o havia mandado embora, mas o condutor não aceitou e “deu nisso”. Insistia em ter que chamar uma pessoa sóbria para assumir que conduzia o carro. Começaram a discutir alto. Ligamos para a polícia e informamos o ocorrido. 

O telefonista fez um monte de perguntas, queria saber a localização exata do acidente, quantas pessoas estavam envolvidas e que tipo de carro, o que eles diziam na discussão. Como eles estavam muito próximos de nós poderiam ouvir o que eu falava. Preferi desligar a ter que ficar respondendo ao policial.

Uma amiga que estava hospedada no quarto ao lado foi ao nosso e começou a falar que ligássemos para a polícia.  Eu disse que já tinha feito, mas liguei novamente, agora de outro telefone móvel e passei para ela. O policial que atendeu disse que já tinha sido informado e que a viatura estava se dirigindo para o local do acidente.

À 1h48min chega a viatura número 1048 do BPTRAN. Enquanto o policial falava com o condutor e o segundo amigo, o primeiro amigo do motorista tirava latas de cerveja e energético de dentro do carro, derramando-os num canteiro circular ao lado do Mercado de Artesanato, numa rápida eliminação de provas. Assim que o policial pediu documentos do carro e do condutor do veiculo este disse que conheci os superiores dos policiais e disse o nome do coronel.

Minutos depois de a polícia chegar, estaciona do lado do carro acidentado uma viatura da TV Tambaú, afilial do SBT. Saem do carro um repórter, um cinegrafista e o iluminador. Começam a fazer imagens das placas de identificação das ruas, da placa do carro envolvido no acidente e vão conversar com a “vítima” do acidente e com os policiais. Ao dar o depoimento para a Televisão e para a polícia o discurso mudou completamente.

Agora, segundo o condutor do veículo, ele foi trancando por indivíduos que vinham em alta velocidade. Para evitar danos maiores, inclusive com a própria vida, saiu da rota, subiu calçada e bateu na árvore. Nada de dizer que vinha em alta velocidade, sozinho, embriagado e sem cinto de segurança.

O policial tomou o depoimento, anotou a placa do veículo, certificou-se do endereço, conferiu as placas das ruas, pediu para o condutor assinar, cumprimentou-o, fez o mesmo com os dois amigos e foi embora, dizendo que ele fosse a um hospital, pois podia ter algum problema mais sério, visto que havia batido a cabeça e estava tossindo muito. Logo depois, a TV registrou a história de uma vítima de perseguição de trânsito, e os "meliantes" perseguidores evadiram do local. A encenação virou realidade televisionada, pois o repórter colheu as informações dos policiais, como manda as regras do bom jornalismo, ouvir os dois lados da história.

Em outro momento da história, o funcionário da seguradora fazia vista grossa enquanto o primeiro amigo retirava uma caixa de isopor com bebidas, algumas garrafas e latinhas que pareciam cerveja do porta-malas do carro da vítima e colocava no seu.

No final, o motorista irresponsável ainda pediu dinheiro para dar ao porteiro do Ed. Mar da Galileia, onde estávamos hospedados, pois ele tinha sido o primeiro a socorrê-lo e poderia ser testemunha, confirmando a história que foi ensaiada ainda ali na rua e propagada pela televisão, como se fosse a mais pura verdade: motoristas responsáveis sendo vítimas da violência do trânsito das cidades brasileiras, bárbaros sem educação (!) e marginais que os fecham nas ruas.

quinta-feira, dezembro 29, 2011

Graças à vida que me deu tanto


Hoje de manhã estava vendo no meu Facebook uma bela mensagem de Ano Novo da professora Cláudia Pfeiffer, lá do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ela escreveu a mensagem parafraseando "Gracias a La Vida", da poetisa chilena Violeta Parra, imortalizada na voz da argentina Mercedes Sosa. Na mensagem, Pfeiffer agradecia à vida por ter-lhe dado tanto, inclusive novas amizades para, junto com ela, cantarem um novo canto para um Ano Novo.

Nesta época do ano, quando fazemos nosso balanço, é comum reclamarmos que tivemos um ano difícil, com muita correria, muito trabalho, pouco dinheiro, poucas possibilidades de viagens e dias de descanso. Esquecemo-nos de agradecer as coisas boas que tivemos durante os 365 dias. Se tivemos muito compromisso, também tivemos almoços de trabalho que se tornaram prazerosos, nos quais conhecemos pessoas novas e pudemos ver o mundo por outro ângulo.

Se tivemos uma correria, andando de lá para cá, de cá para lá desenfreados, esquecemo-nos de agradecer àquela lua linda, quase azul, que vimos pela janela do ônibus, quando voltávamos de mais uma reunião de trabalho ou de uma orientação. Esquecemos que o raio de luz que descia dela formava uma bela imagem na janela fumê do ônibus e nos fez lembrar as fotos de Cartier-Bresson. Se estivéssemos em casa, veríamos um crepúsculo daqueles tingindo o céu de um vermelho que não sabemos identificar?

Se reclamamos de termos acordado muito cedo para mais um dia de campo, nos esquecemos do belo amanhecer que vimos, com os raios solares rompendo a escuridão e pintando o céu com a paleta da aurora e pássaros orquestrando, dizendo que mais um dia estava começando. Não agradecemos por termos descoberto um mundo misterioso com pessoas simples e estas terem mais consciência das coisas importantes da vida do que nós, com nossas teorias e categorias de análise. Estúpido cartesianismo!

Esquecemo-nos de agradecer as mensagens carinhosas e os e-mails motivadores, nos impulsionando a nos aventurarmos diariamente, enviados por amigos e parentes. Esquecemo-nos de agradecer a amizade sincera daqueles que nos ajudam a nos levantar depois de uma decepção profissional ou de um fracasso qualquer. Esquecemo-nos de agradecer aos filhos, sobrinhos, irmãos e familiares que nos dão aqueles abraços reconfortantes depois de dias ou meses fora de casa, com um "que bom que você voltou. Sentimos sua falta".

Esquecemo-nos de agradecer pela nossa cama macia e acolhedora que nos recebem depois de dias dormindo em hotel. Por voltar à nossa casa e sentir o cheirinho de nossos livros e ver que os quadros estão na parede, como deixamos. Não agradecemos por chegar à nossa casa, abrir a janela e olharmos a panorâmica que se descortina no horizonte e vermos que estamos em nosso canto novamente.

Gostaria de agradecer pelos puxões de orelhas, pelos 'toques' e conselhos que recebi. Teve uma colega de turma que foi imprescindível esse ano. Com seu olhar meio e jeito carinhoso, me disse uma coisa que me fez ver o mundo de outro jeito e me enxergar diferente.

Neste fim de ano, gostaria de agradecer por tudo. Por ter amigos queridos que amo muito, por ter conhecido pessoas doces e apaixonantes como a Cláudia Pfeiffer, por ter passado três meses fora e ter conhecido pessoas maravilhosas em Curitiba, por ter voltado para os meus com saúde e ter recebido abraços, beijos e frases claras e gratificantes como "sentimos muito sua falta, que saudade".

Agradeço pela confraternização que tivemos no Mororó e pela acolhida e companhia de pessoas tão importantes do MDR.

Quero dar graças por saber que amo e sou amado por muitos. Aproveito para finalizar os primeiros versos de Violeta Parra, dizendo...
 
Gracias A La Vida
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo



quarta-feira, dezembro 28, 2011

Não existe coisa melhor do que festejar com amigos



Nem toda confraternização de final de ano é chata. É bem verdade que aquelas do trabalho ou da família estão burocratizadas. São as mesmas decorações, os mesmos convidados, os mesmos presentes entregues, sempre se comparando preço e tamanho do afeto pelo valor do presente. Sem contar os prelúdios caudatários acerca do amigo oculto, falando das virtudes destacadas apenas em nome do convívio social.

Há momentos que precisamos estar juntos de nossos amigos de verdade. Aqueles que, se passamos alguns meses sem vê-los, sentimos um aperto. Aqueles que nos fazem rir até dar na barriga, contando as histórias que já conhecemos de cor e salteado. Aqueles que, apenas um abraço apertado e um sorriso no rosto, nos dão energia para enfrentar uma semana difícil, uma crise no trabalho ou uma briga com o cônjuge.

Dessas festas eu não abro mão. Faço questão de estar presente, pois teremos conversas para mais um ano. Marcamos um desses encontros com amigos queridos, com mais aqueles que vão se aproximando do pequeno círculo e se tornando membro do grupo. Pronto. Foi definido que seria na casa de amigos que amo muito e sou meio que padrinho do casal, pois foi em minha casa que os dois se conheceram.

Recebo uma ligação do anfitrião perguntando se tinha alguma sugestão para os petiscos e o jantar. Ops, não sabia que era um jantar. Ficou combinado que todos levariam alguma coisa. Eu sugeria levar um prato que gosto muito de fazer e todos gostam, pois entre os participantes da festa haveria lacto vegetarianos. Fomos às compras e encontramos uma velha amiga do casal e minha ex-colega de trabalho, rimos bastante, falando bobagem e das viagens de final de ano. Despedimo-nos e continuamos a falar o que faríamos para a noite.

Uns levariam uma lasanha, outros levariam refrigerante e o dono da casa ofereceria legumes e frutos assados na chama, ou melhor, numa churrasqueira libanesa, emprestada pela vizinha, uma verdadeira engenhoca que chamou a atenção de todos. Foi oferecido um banquete e muita hospitalidade. Os primeiros a chegar foram um casal de amigos muito queridos, com a famosa lasanha. Tinha uma aparência linda. Que pena que era de carne. Deixe de comê-la há anos. Ela elegantíssima como sempre, com seu penteado charmoso e sorriso cativante; ele com seus cabelos grisalhos e um livro na mão, parecendo um lorde inglês. Colocam um CD de música instrumental e começam a dançar apaixonados na sala.

Eu havia passado a tarde na casa dos anfitriões, preparando o prato do chef, uma batata recheada com catupiry e cheddar, uma novidade para alguns, com um toque de "o gosto pode não estar dos melhores", mas a aparência chamava a atenção. Claro, para impressionar, coloquei folhas da coroa do abacaxi para dar um toque tropical ao prato com cor de açafrão da terra e decorado com batata palha.

Os donos da casa colocaram o DVD "Um barzinho e um violão, com clássicos da música brasileira, interpretado por grandes nomes. Recebemos a ligação de nossa amiga, a produtor dizendo que estava em um supermercado e passaria para nos dar um abraço. Poucos minutos depois, chegou com seu sorriso encantador, abraços gostosos como pudim caramelado e alegria sapeca de criança. Começamos a comer, uma comida deliciosa.

Os anfitriões sempre preocupados em saber se estávamos à vontade, se a comida estava legal, se queríamos bebida, se o vinho estava gelado, sugerindo mais uma manga na chapa, um ovo de codorna ou um queijinho com pão assado e azeite.

Comemos, contamos história e rimos, rimos muito. Chega nossa amiga Silvânia Araújo com seu jeito moleca, dando risada e contando as travessuras de Djalma, namorado de Carolina, vizinha dos anfitriões. Silvânia come, elogia a comida, a hospitalidade, conhece a casa dos donos do banquete.

É chegada a hora de contar como os anfitriões se conheceram. Mais histórias engraçadas. Coisas inimagináveis de acontecer. Silvânia conhecia uma parte, eu a outra. Os pombinhos contam cada um a sua versão e damos mais risadas. Duas histórias que se entrecruzaram, foram juntando amigos e hoje somos uma grande família, amando e respeitando uns aos outros. Prometemos mais encontros para o próximo ano. Despedimo-nos dos convivas com abraços e beijos, já pensando nos próximos banquetes alegres e fraternos.

Confraternização assim é a melhor coisa que existe. Pena que faltou uma de nossas convidadas. Fica para a próxima. Acho que vai ser aqui em casa. Não pode faltar comida, um vinhozinho e muita conversa boa, risada e sorrisos bonitos de minhas amigas Moema e Silvânia. Nem precisamos tirar fotos. Muitas vezes elas atrapalham a espontaneidade do momento e nos mostram o que não somos. Toda foto é meio uma realidade criada. Nas fotos, somos um personagem.



terça-feira, dezembro 27, 2011

Redes sociais: a face de alguns brutos



As redes sociais refletem como nos comportamos e o que pensamos. Tenho observado de tudo nelas, mas o que mais me chama a atenção é a forma como as pessoas se comportam em relação à violência e à intolerância. Em nome da liberdade de expressão, escrevem os piores absurdos.

Dezembro foi marcado por uma abundância de “liberdade de expressão”. É impossível esquecer as dezenas de vezes em que a grande mídia mostrou as cenas daquela enfermeira espancando o Yorkshire até a morte, em Goiás. Nas redes sociais, não apenas as imagens eram compartilhadas, mas a comoção tomava conta dos internautas. Houve de tudo.

Fazia tempo que não via tanta manifestação de ódio contra uma mesma pessoa. Muitas das criaturas que se expressavam eram adolescentes e até mesmo crianças, escrevendo os mais pesados impropérios contra a agressora. Sem contar a quantidade de pais e avós do Brasil inteiro apologetas da violência nua e crua. O que ela fez não dignifica ninguém, pelo contrário.

No entanto, não se pode pedir execução sumária de uma pessoa por ter cometido um crime, especialmente num país em que não existe pena de morte e já existe legislação específica para a agressão cometida.

As rogativas eram absurdas. Uns pediam que fizessem a mesma coisa com a enfermeira; outros que tirassem a guarda do filho. Chegou-se ao ponto de desejar que, quando em idade adulta, o filho que presenciou a agressão cometesse crime idêntico contra a mãe.

Na realidade, houve pouco debate e muita selvageria. Poucos foram os que discutiram o comportamento mesquinho e agressivo que temos nos últimos anos, seja contra animais, idosos ou seres indefesos. Quase ninguém discutiu o valor da vida e o fim dos maus tratos de animais ou da crueldade de que alguns são submetidos, a exemplo das mulas e cavalos nas grandes cidades, por carroceiros que os maltratam.

Muitos dos que pediam a execução sumária da agressora, inclusive amigos meus, já colocaram rojões amarrados nos rabos de gatos ou sal no dorso de sapos, bem como são adeptos de vaquejadas e rodeios.

Todos sabem que nos parques de rodeio e vaquejadas, touros e cavalos não têm o melhor tratamento. Por que com uns pode e outros não? O que é sofrimento, o que seriam atos desumanos? Tourada é bem vista, rinha de galo e de cães pode? Um amigo muito próximo achou abominável, como de fato é, o espancamento do cãozinho, mas mantém três pássaros silvestres em casa. É diferente, segundo ele. É?

No mundo virtual, internautas dizem o que querem sem pensar nas consequências de suas declarações. Mais incrível ainda é como as pessoas são violentas ao falarem de violência, como são monstruosas ao escreverem nas redes sociais. Será que essas pessoas realmente pensam naquilo que escrevem, pedindo linchamento, pena de morte?

Duas semanas depois da agressão ao cachorrinho, ouço poucas pessoas falarem em direitos dos animais. Será que todas as pessoas estão, de fato, preparadas para terem pets? Será que percebem que animais, por mais doces, amigáveis e companheiros que sejam, não são brinquedos que, tão logo abusemos deles, podemos ir numa loja e comprar outros e nos desfazemos dos “trabalhosos”? Não podemos sair por aí jogando os “brinquedos” que já tínhamos ou nos livrar deles pelo simples fato de fazerem barulho.

Quantos pais que se indignaram com a atitude da “enfermeira monstro” se questionaram se seus filhos estavam prontos para cuidar de um animal ao comprarem um filhotinho lindo de presente de Natal? Ou será que quando eles começaram a sujar a casa, rasgar os sofás, vão atirá-los fora como se fossem lixo?

domingo, julho 10, 2011

O pub irlandês de Curitiba


Se há semelhanças entre o Reino Unido e Curitiba, por que a “capital das araucárias” não poderia ter um pub? Foi assim que nasceu o Sheridan’s Irish Pub, em abril de 2006. De acordo com Luciano Iuzviak, gerente da casa, a ideia surgiu quando Gustavo Hass, proprietário, visitou a Irlanda e conheceu vários estabelecimentos, cardápios, mobiliários e bebidas servidas nesses espaços.

De volta ao Brasil, Hass montou o Sheridan’s, nome de um importante clã da terra de Oscar Wilde e James Joyce. O pub é praticamente uma embaixada irlandesa na Avenida Bispo Dom José, uma espécie de ONU da gastronomia curitibana. Nas paredes do Sheridan’s, o visitante faz uma viagem na história cultural da Irlanda. É só observar os  quadros, esculturas, livros e mobília que decoram o ambiente.

O local tem capacidade para “200 pessoas sentadas, mas cabem umas quinhentas ao todo”, como afirma o gerente.  Ao se chegar a casa, somos é avisado se tem ou não mesas vazias, mas a recepcionista, Fraciele de Deus, que está mais para anjo, encontrou, em cerca de 30 minutos um local para sentarmos.

Tomamos uns pints (chopp de 560 ml) e descemos atraídos por uma banda que preenchia o ambiente com o bom e velho rock.  Há sempre uma banda cover se apresentando no palco instalado a poucos metros das mesas dos “irlandeses” de plantão. Para cada mês, há uma programação especial.

Já para os que querem experimentar a gastronomia da terra de Bono Vox (U2), no  pub são servidas 15 entradas, entre elas “French fries”, batatas servidas com molho barbecue e cheddar (uma delícia!).  O cliente pode, ainda, apreciar cinco pratos principais, como “Irish fish and chips”, filé de peixe empanado, acompanhado de batas caseiras fritas  e molho tártaro.

Para os amantes de sandwiches, o Sheridan’s oferece seis tipos, entre eles o “Norway salmon burger”, hambúrguer de salmão grelhado, pão de centeio, queijo cremoso e wasabi. Sobremesas são duas oferecidas.

No entanto, se seu desejo é beber, prepare-se, pois são 12 tipos diferentes de chopps. Os destaques são o Guinnes, importado da Irlanda, e o Sheridan’s Lager, o chopp da casa. Vale a pena experimentar. Os mais afeitos ao exótico, podem experimentar o Jägermeister, destilado alemão composto de 56 ervas, frutas e raízes.

Porém, se o “irlandeses” preferir whiskys, há 12 a seu dispor, dois bourbons, vodcas,  runs, caipirinhas uma carta de cervejas importadas e outra  de vinho. É só pedir ao primeiro garçom que passar. Sem contar os 13 tipos de drinks e sete shots.

O Sheridan’s é um local aconchegante, charmoso, cheio de gente interessante, misterioso e  para ser aproveitado em algumas visitas, não apenas em uma  só. No entanto, é um local de preços médios para altos. Segundo meu amigo Thiago Mentor, que está fazendo intercâmbio na Irlanda, o pub curitibano está dentro dos padrões de preços de Dublin.


Serviço
Av. Bispo Dom José, 2315 – Batel – Curitiba
Fone (41) 3343-7779 Site: www.sheridansirishpub.com.br
Funciona de Sábado a domingo a partir das 18h e  vai “até o último irlandês sair”, como  diz o cardápio.
Cobra taxa de serviço (10%) e entrada (couvert artístico)

Formas de Pagamento
Aceita cartões de débito e crédito, exceto Hipercard.


sábado, julho 02, 2011

O vendedor de livros dos bares de Curitiba

Ricardo Wuicik e livros
Tenho escrito sobre descobertas aqui na capital paranaense desde o dia 29 de abril. Confirmações de hipóteses, refutação de uma lista de outras, mas sempre encontrando curiosidades na cidade de Poty Lazzarotto e Paulo Leminski.

No sábado passado, 25/06, saímos para tomar uma cervejinha no Largo da Ordem. Paramos no Tubas Bar e Restaurante (Praça Garibaldi, 50). Conversamos bastante, rimos e vimos passar alguns carros e diferentes tribos urbanas. Achamos que o bar já tinha nos dado o que precisávamos e fomos conhecer outros lugares para beber e conversar.

Como estava na companhia de um amigo de Minas Gerais, que também estava descobrindo a cidade, paramos no Brasileirinho (Rua Mateus Leme, 67). Ali havia uma galera animada e uma boa roda de samba. A atmosfera era agradável e contagiante. Pedro Paulo, o garçom, era uma figura! Bem humorado, abastecia as mesas com bebidas, petiscos e muitos sorrisos.

Passamos um bom tempo nos divertindo. Rafael, meu colega de jornada, ainda paquerou e foi paquerado. Eu estava apenas “olhando o mundo”. O mineiro, de Uberaba, soube da existência de um Bar e Restaurante chamado Chinaski, em homenagem ao pseudônimo de Charles Bukowski (com o qual assinou cinco livros).

O bar é uma espécie de pub, com as paredes cobertas de pôsteres e capas de discos de artistas e bandas de Rock dos anos 1970 e 1980, como David Bowie, Nick Cave, The Cure, Ramones, Blondie e tantos outros mais conhecidos. Um ambiente confortável e interessante. Merece uma segunda visita.

Após tomarmos algumas cervejas e pedirmos uns sanduíches, surge, por volta de 0h30min, a figura enigmática de Ricardo Wuicik (32 anos), um filósofo que resolveu ganhar a vida como vendedor de livros. “Eu era professor e não queria mais dar aula, por várias questões ideológicas, e comecei a vender, pois queriam que vendessem em minha casa. Foi indicação do meu primo quanto aos locais e horários”.

Wuicik, que é do interior paranaense, portava mais de 20 obras de autores diferentes. Segundo ele, sempre vende alguma coisa, pois agora anda com uma maquineta de cartões. “Antes, as pessoas gostavam, mas reclamavam que não tinham dinheiro, então veio a ideia da máquina de cartões. Elas sempre compram”. Ele está no ramo há um ano.

Atualmente, Ricardo tem uma pequena livraria (Avenida Iguaçu, 551, quase esquina com Floriano Peixoto). Como o negócio ainda está no início, continua vendendo livros à noite para complementar a renda e sustentar a esposa e os dois filhos.