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domingo, julho 10, 2011

O pub irlandês de Curitiba


Se há semelhanças entre o Reino Unido e Curitiba, por que a “capital das araucárias” não poderia ter um pub? Foi assim que nasceu o Sheridan’s Irish Pub, em abril de 2006. De acordo com Luciano Iuzviak, gerente da casa, a ideia surgiu quando Gustavo Hass, proprietário, visitou a Irlanda e conheceu vários estabelecimentos, cardápios, mobiliários e bebidas servidas nesses espaços.

De volta ao Brasil, Hass montou o Sheridan’s, nome de um importante clã da terra de Oscar Wilde e James Joyce. O pub é praticamente uma embaixada irlandesa na Avenida Bispo Dom José, uma espécie de ONU da gastronomia curitibana. Nas paredes do Sheridan’s, o visitante faz uma viagem na história cultural da Irlanda. É só observar os  quadros, esculturas, livros e mobília que decoram o ambiente.

O local tem capacidade para “200 pessoas sentadas, mas cabem umas quinhentas ao todo”, como afirma o gerente.  Ao se chegar a casa, somos é avisado se tem ou não mesas vazias, mas a recepcionista, Fraciele de Deus, que está mais para anjo, encontrou, em cerca de 30 minutos um local para sentarmos.

Tomamos uns pints (chopp de 560 ml) e descemos atraídos por uma banda que preenchia o ambiente com o bom e velho rock.  Há sempre uma banda cover se apresentando no palco instalado a poucos metros das mesas dos “irlandeses” de plantão. Para cada mês, há uma programação especial.

Já para os que querem experimentar a gastronomia da terra de Bono Vox (U2), no  pub são servidas 15 entradas, entre elas “French fries”, batatas servidas com molho barbecue e cheddar (uma delícia!).  O cliente pode, ainda, apreciar cinco pratos principais, como “Irish fish and chips”, filé de peixe empanado, acompanhado de batas caseiras fritas  e molho tártaro.

Para os amantes de sandwiches, o Sheridan’s oferece seis tipos, entre eles o “Norway salmon burger”, hambúrguer de salmão grelhado, pão de centeio, queijo cremoso e wasabi. Sobremesas são duas oferecidas.

No entanto, se seu desejo é beber, prepare-se, pois são 12 tipos diferentes de chopps. Os destaques são o Guinnes, importado da Irlanda, e o Sheridan’s Lager, o chopp da casa. Vale a pena experimentar. Os mais afeitos ao exótico, podem experimentar o Jägermeister, destilado alemão composto de 56 ervas, frutas e raízes.

Porém, se o “irlandeses” preferir whiskys, há 12 a seu dispor, dois bourbons, vodcas,  runs, caipirinhas uma carta de cervejas importadas e outra  de vinho. É só pedir ao primeiro garçom que passar. Sem contar os 13 tipos de drinks e sete shots.

O Sheridan’s é um local aconchegante, charmoso, cheio de gente interessante, misterioso e  para ser aproveitado em algumas visitas, não apenas em uma  só. No entanto, é um local de preços médios para altos. Segundo meu amigo Thiago Mentor, que está fazendo intercâmbio na Irlanda, o pub curitibano está dentro dos padrões de preços de Dublin.


Serviço
Av. Bispo Dom José, 2315 – Batel – Curitiba
Fone (41) 3343-7779 Site: www.sheridansirishpub.com.br
Funciona de Sábado a domingo a partir das 18h e  vai “até o último irlandês sair”, como  diz o cardápio.
Cobra taxa de serviço (10%) e entrada (couvert artístico)

Formas de Pagamento
Aceita cartões de débito e crédito, exceto Hipercard.


quarta-feira, junho 15, 2011

Sobre curitibanos e cães



PPara os não-nascidos na capital paranaense, os curitibanos são extremamente “frios”. Lembro que na semana em que cheguei a Curitiba, um dos moradores da casa na qual estou hospedado perguntou: “Sabe o que o curitibano fala ao encontrar a esposa com outro? Nada. Eles não falam com estranhos”.

Na verdade, não costumamos emendar uma conversa com pessoas que nunca vimos, nem conhecemos. Desde pequenos, nossos pais aconselham a não falar com estranhos. O curitibano levou isso muito a sério. Não é fácil trocar uns dedinhos de prosa com eles se os virmos pela primeira vez.

No entanto, se quiser falar com eles por mais tempo, sem nunca tê-los visto, tenha um cachorro. Repetidas noites, saio com Mabi, uma poodle que pensa que é gente, que pertence à minha anfitriã, e os outros donos de cães logo perguntam se “é uma moça ou um rapaz”, o nome e quantos anos tem, perguntas que fazemos sobre bebês humanos.

Ao descobrirem que não sou curitibano, perguntam de onde sou, o que estou achando do frio, qual minha impressão sobre a cidade, nossa! Soltam a língua. Questionam a finalidade de minha vinda à cidade o que já visitei e me sugerem os locais que deveria ir. “O Parque Tingui é lindo, um dos mais bonitos de Curitiba”, disse-me uma senhora que puxava José, yorkshire mal humorado.

Outros ficam revoltados com a situação dos animais de rua, a ponto de quererem a prisão dos “canalhas que abandonam os bichinhos na rua. O que eles fizeram de mal a eles? Eles não têm como se defender, ficam com fome, com frio. É um crime”. Confidenciou-me Augusta, uma senhora dessas que tagarelam com quem tem cachorro, sem nem olhar para um sem-teto, deitado perto da fonte da Praça Rui Barbosa.

Aqui, os cães são praticamente da família, andam com roupas quase humanas, ainda não vi os de cachecol, mas de suéter, nem conto as vezes. Os proprietários se referem aos seus cães como se fossem “meu bebezinho, que a mamãe ama tanto”, dão beijinho nos pets e os carregam no colo, como se fossem recém-nascidos (humanos).

Se você não é curitibano, assim como eu, e quer papear com eles e conhecer um pouco mais sobre o povo da “capital modelo”, tenha um cachorro. Se não o tiver, saia com o do vizinho ou de quem o estiver hospedando, além de ser uma ótima atividade física, é uma investigação sociológica ímpar.

segunda-feira, maio 09, 2011

Como ficar parado em Curitiba?

Curitiba é uma metrópole que mistura culturas, cheiros e cores. É cosmopolita desde seu surgimento. É quase impossível não encontrar algum prédio, templo ou rosto nas ruas que não lembre outra etnia. O ônibus turístico, com dois andares, semelhante ao londrino, com a diferença de que a “jardineira” é verde, passa por 24 pontos turísticos, muitos deles memoriais em homenagem aos imigrantes.

Saindo da Praça Tiradentes e percorrendo os locais de visitação, o turista ouve informações em português, espanhol e inglês. A passagem, que custa R$ 25,00, dá direito ao visitante descer em quatro locais diferentes, à sua escolha, e reembarcar no próximo ônibus que passa pontualmente a cada meia hora.

Assim como o dia de ontem, um presente do Dia das Mães, estava com um céu de brigadeiro e o ônibus, aberto na parte superior, proporcionava uma visão clara e colorida da cidade arborizada, cheia de parques, praças e floreiras, colorindo e aromatizando a cidade das araucárias.

O roteiro, de 43 km, passa desde o Jardim Botânico, pelos Parques Tingui, Tanguá (o mais bonito em minha opinião), Bosque do Alemão, Bosque do Papa, até o gastronômico bairro de Santa Felicidade. Mangiare que te fa bene! Santa Felicidade é um pedaço da Itália dentro de Curitiba, com casario, bons restaurantes, como o Madalosso e trattorias típicas.

Após fotografar a Igreja de Santa Felicidade e as fachadas de muitos prédios antigos do bairro, povoado desde 1878 por imigrantes vindos das regiões de Veneto e Trento, fui saborear a comida de um dos mais de trinta restaurantes. Lá descobri que se paga pelo buffet (R$ 22,90) e pode-se comer à vontade das iguarias ali ofertadas. Tinha um arroz com tomates secos e ricota de se comer de joelhos, pois a gula é um pecado.

Ópera de Arame, no Parque Pedreiras.

Mais adiante, uma lasanha de rúcula de cometer mais pecados que os sete capitais. Como se não bastasse, vi um mousse salgado de “formaggio” (que coisa deliciosa!). E para completar, um escondidinho de salmão à azeitona preta. Para acompanhar a comida, o garçom sugeriu uma taça do vinho da casa, um seco encorpado que encheu minha boca. Confesso que repeti, não ia deixar passar. Comi até me fartar, tomei o bendito (e santo vinho) e paguei menos de R$ 30,00. Fiquei satisfeitíssimo.

Saí redondo de tanta comida gostosa e voltei a pegar a “jardineira” no sentido do centro histórico da cidade, mas antes parei na Torre Panorâmica para ver a cidade de cima, uma visão de 360 graus. A torre da Antiga Telepar, equivalente a um prédio de 40 andares, tem um elevador veloz. Custa apenas R$ 3,00 subir ao minarete. Depois de tudo, caminhei um pouco pela Rua Barão de Rio Branco, passei pelo SESC da Esquina, Boca Maldita e olhei para o majestoso Palácio Avenida. Descansei, afinal, ninguém é de ferro, do metal apenas as armações da Ópera de Arame e Estufa do Jardim Botânico.
Palácio Avenida, no qual acontece a Cantata de Natal de Curitiba

 

 

 


sábado, maio 07, 2011

Curitiba e seus en(cantos)


Essa semana,  conversando com um colega, ele me cobrou a atualização de meu blog. Eu fiquei refletindo sobre o que escreveria: o consumo do Dia das Mães, a morte de Bin Laden, a aprovação história do Supremo em benefício dos homossexuais? Não. Nenhum dos temas me chamou a atenção. Então,  o que escrever para meus poucos leitores?

Parei, atravessando a praça de alimentação de um shopping aqui em Curitiba e resolvi escrever sobre  estereótipos. Antes de conhecer o Sul, ouvia dizer que os sulistas eram  europeus que falam português. Um todo homogêneo e que não há negros por aqui. São todos altos, brancos com sobrenomes estranhos, com mais consoantes que vogais e são frios como os alemães. Bom, os poucos alemães que conheci foi aqui no Brasil, então não conta, não é mesmo?  


Primeira coisa é que os curitibanos não são um todo homogêneo. São uma mistura de tribos e etnias. Já encontrei muitos orientais, negros, alguns com traços indígenas e muitos miscigenados. Eles não são apenas brancos e altos. Tem gente de todo cor, como diz a música da cantora baiana.


Quanto a serem frios... é um mito! Já precisei de informações e me atenderam com cortesia. Além de muito elegantes, são corteses. Pedem desculpa quando esbarram conosco no supermercado e são alegres. Não são sisudos como pintam. Quando ouvem  meu sotaque, perguntam de onde sou, dizem alegres: “que bom!. Boa estadia em nossa terra” e dão dicas como aproveitar a cidade.

Há restaurante em tudo que é lugar. A gastronomia é uma arte aqui, não estou falando dos bairros italianos e dos restaurantes étnicos. Come-se muito bem nessa cidade. Já encontrei um restaurante que, se você é vegetariano como eu, paga no máximo R$ 5,50 por uma boa refeição.

Uma senhora, dona Rosa Maria, mas que faz questão de ser chamada de Rose, me disse que faria shucrutiz (um prato típico da cultura alemã) para eu ver que o dela é diferente do que eu havia comido.  Deu-me seu cartão e me disse onde comer um “strudel delicioso, feito com massa verdadeira”. Parecia ser  minha vizinha de anos de tão afetuosa.

A cidade é bem florida, suas avenidas são largas, arborizadas e muito limpas. O transporte é prático e eficiente. No entanto, os ônibus já saem dos tubos transparentes lotados,  pichados e depredados. Curitiba convive harmoniosamente entre o antigo, vendido como ruínas de uma cultura idílica,  e o moderno. As pessoas aqui são “modernas” e por assim serem, são tolerantes e respeitam a diversidade, seja sexual ou étnica.

Casais homossexuais aqui andam livremente de mãos dados e namoram nos inúmeros parques. Apesar de aqui existir a Liga das Senhoras Católicas de Curitiba, não vejo desrespeito com a diversidade sexual. Falaram mais nas ruas dos seis gols que o Coritiba enfiou no Palmeiras do que da morte de Bin Laden. Porém,  eles não apenas se importam com futebol.

Hoje na Boca Maldita, ao redor dos cafés, bancas de revista e bancos do calçadão na Avenida Luiz Xavier (Rua das Flores), no centro, havia duas manifestações: uma para mostrar o nome dos vereadores que são contrários a CPI da Máfia das Multas (radares eletrônicos) e outra organizada pelas mães dos jovens mortos pelo ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho, que dirigia alcoolizado, a 190 km.


E assim é Curitiba, uma cidade com 19 rádios, com inúmeras livrarias e bibliotecas, dezenas de teatros, vários museus, seus 18 shoppings e suas ruas cheias de cafés, bares  e bancas de revistas. Vou ali comer que o cheiro aqui tá bom e não abro mão de uma boa comida.