quinta-feira, dezembro 29, 2011

Graças à vida que me deu tanto


Hoje de manhã estava vendo no meu Facebook uma bela  mensagem de Ano Novo  da professora Cláudia Pfeiffer, lá do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ela escreveu a mensagem parafraseando “Gracias a La Vida”, da poetisa chilena Violeta Parra, imortalizada na voz da argentina Mercedes Sosa.  Na mensagem, Pfeiffer agradecia à vida por ter-lhe dado tanto, inclusive novas amizades para, junto com ela, cantarem um novo canto para um Ano Novo.   

Nesta época do ano, quando fazemos nosso balanço, é comum reclamarmos que tivemos um ano difícil, com muita correria, muito trabalho, pouco dinheiro, poucas possibilidades de viagens e dias de descanso. Esquecemo-nos de agradecer as coisas boas que tivemos durante os 365 dias. Se tivemos muito compromisso também tivemos almoços de trabalho que se tornaram prazerosos, nos quais conhecemos pessoas novas e pudemos ver o mundo por outro ângulo.

Se tivemos uma correria, andando de lá para cá de cá para lá desenfreados, esquecemo-nos de agradecer àquela lua linda, quase azul que vimos pela janela do ônibus, quando voltávamos de mais uma reunião de trabalho ou de uma orientação. Esquecemos que o raio de luz que descia dela formava uma bela imagem na janela fumê do ônibus e nos fez lembrar as fotos de Cartier-Bresson. Se tivéssemos em casa viríamos um crepúsculo daqueles tingindo o céu de um vermelho que não sabemos identificar?

Se reclamamos de termos acordado muito cedo para mais um dia de campo, nos esquecemos do belo amanhecer que vimos, com os raios solares rompendo a escuridão e pintando o céu com a paleta da aurora e pássaros orquestrado dizendo que mais um dia estava começando. Não agradecemos por termos descoberto um mundo misterioso com pessoas simples e estas terem mais consciência das coisas importantes da vida do que nós, com nossas teorias e categorias de análise. Estúpido cartesianismo!

Esquecemo-nos de agradecer as mensagens carinhosas e os e-mails motivadores nos impulsionando a nos aventurarmos diariamente, enviadas por amigos e parentes. Esquecemo-nos de agradecer a amizade sincera daqueles que nos ajudam a nos levantar depois de uma decepção profissional ou de um fracasso qualquer. Esquecemo-nos de agradecer aos filhos, sobrinhos, irmãos e familiares que nos dão aqueles abraços reconfortantes depois de dias ou meses fora de casa, com um “que bom que você voltou. Sentimos sua falta”.

Esquecemo-nos de agradecer pela nossa cama macia e acalentadora que nos recebem depois de dias dormindo em hotel. Por voltar a nossa casa e sentir o cheirinho de nossos livros e ver que os quadros estão na parede, como deixamos. Não agradecemos por chegar a nossa casa, abrir a janela e olharmos a panorâmica que se descortina no horizonte e vermos que estamos em nosso canto novamente.

Gostaria da agredecer pelos puxões de orelhas, pelos ‘toques’ e conselhos que recebi. Teve uma colega de turma que me foi imprescindível esse ano. Com seu olhar meio e jeito carinhoso me disse uma coisa que me fez ver o mundo de outro jeito e me enxergar diferente.

Neste fim de  ano, gostaria de agradecer por tudo. Por ter amigos queridos que amo muito, por ter conhecido pessoas doces apaixonantes como a Cláudia Pfeiffer, por ter passado três meses fora e ter conhecido pessoas maravilhosas em Curitiba, por ter voltada para os meus com saúde e ter recebido abraços, beijos e frases claras e gratificantes como “sentimos muito sua falta, que saudade”.

Agradeço pela confraternização que tivemos no Mororó e pela acolhida e companhia de pessoa tão importantes do MDR.

Quero dar graças por saber que amo e sou amado por muitos. Aproveito para finalizar os primeiros versos de Violeta Parra Violeta, dizendo...
 
Gracias A La Vida
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo



quarta-feira, dezembro 28, 2011

Não existe coisa melhor do que festejar com amigos



Nem toda confraternização de final de ano é chata. É bem verdade que aquelas do trabalho ou da família estão burocratizadas. São as mesmas decorações, os mesmo convidados, os mesmos presentes entregues, sempre se comparando preço e tamanho do afeto pelo valor do presente. Sem contar os prelúdios caudatários acerca do amigo oculto, falando das virtudes destacadas apenas em nome do convívio social.

No entanto, existem os momentos que precisamos estar juntos de nossos amigos de verdade. Aqueles que se passamos alguns meses sem vê-los sentimos um aperto. Aqueles amigos que nos fazem rir de dar na barriga contando as histórias que já conhecemos de cor e salteado. Aqueles que apenas um abraço apertado e um sorriso no rosto nos dão energia para enfrentar uma semana difícil, uma crise no trabalho ou uma briga com o cônjuge.

Dessas festas eu não abro mão. Faço questão de estar presente, pois teremos conversas para mais um ano. Marcamos um desses encontros com amigos queridos, com mais aqueles que vão se aproximando do pequeno círculo e se tornando membro do grupo. Pronto. Foi definido que seria na casa de amigos que amo muito e sou meio que padrinho do casal, pois foi em minha casa que os dois se conheceram.

Recebo uma ligação do anfitrião perguntando se tinha alguma sugestão para os petiscos e o jantar. Ops, não sabia que era um jantar. Ficou combinado que todos levariam alguma coisa. Eu sugeria levar um prato que gosto muito de fazer e todos gostam, pois entre os participantes da festa haveria lacto vegetarianos. Fomos às compras e encontramos uma velha amiga do casal e minha ex-colega de trabalho, rimos bastante, falando bobagem e das viagens de final de ano. Despedimo-nos e continuamos a falar o que faríamos para a noite.

Uns levariam uma lasanha, outros levariam refrigerante e o dono da casa ofereceria legumes e frutos assada na chama, ou melhor, numa churrasqueira libanesa, emprestada pela vizinha, uma verdadeira engenhoca que chamou a atenção de todos. Foi oferecido um banquete e muita hospitalidade. Os primeiros a chegar foi um casal de amigos muito queridos, com a famosa lasanha. Tinha uma aparência linda. Que pena que era de carne. Deixe de comê-la há anos. Ela elegantíssima como sempre, com seu penteado charmoso e sorriso cativante; ele com seus cabelos grisalhos e um livro na mão, parecendo um lorde inglês. Colocam um CD de música instrumental e começam a dançar apaixonados na sala.

Eu havia passado a tarde na casa dos anfitriões, preparando o prato do chef, uma batata recheada com catupiry e cheddar, uma novidade para alguns, com um toque de “o gosto pode não estar dos melhores”, mas a aparência chamava a atenção. Claro, para impressionar coloquei folhas da coroa do abacaxi para dar um toque tropical ao prato com cor de açafrão da terra e decorado com batata palha.

Os donos da casa colocara o DVD “Um barzinho e um violão,  com grandes clássicos da música brasileira, interpretado por grande nomes. Recebemos a ligação de nossa amiga, a produtora Moema Vilar,  dizendo que estava em um supermercado e passaria para nos dar um abraço. Poucos minutos depois, chegou com seu sorriso encantador, abraços  gostosos como pudim caramelado e alegria sapeca de criança.  Começamos a comer, uma comida deliciosa.

Os anfitriões sempre preocupados em saber se estávamos à vontade, se a comida estava legal, se queríamos bebida, se o vinho estava gelado, sugerindo mais uma manga na chapa, um ovo de codorna ou um queijinho com pão assado e azeite.

Comemos, contamos história e rimos, rimos muito. Chega nossa amiga Silvânia Araújo com seu jeito moleca, dando risada e contando as travessuras de Djalma, namorado de Carolina, vizinha dos anfitriões. Silvânia come, elogia a comida, a hospitalidade, conhece a casa dos donos do banquete.

Vamos para a parte boa das histórias engraçadas. Cada uma mais hilária que a outra, principalmente o momento maiores gafes cometidas. Gafes de filas de banco, de confundir gordinhas com grávidas. Essa foi a melhor. Só ouvindo para entender.

É chegado o momento de contar como os anfitriões se conheceram. Mais histórias engraçadas. Coisas inimagináveis de acontecer. Silvânia conhecia uma parte, eu a outra. Os pombinhos contam cada um a sua versão e damos mais risadas. Duas histórias que se entrecruzaram, foram juntando amigos e hoje somos uma grande família, amando e respeitando uns aos outros. Prometemos mais encontros para o próximo ano. Despedimo-nos dos convivas com abraços e beijos já pensando nos próximos banquetes alegres e fraternos.

Confraternização assim é a melhor coisa que existe. Pena que faltou uma de nossos convidados. Fica para a próxima. Acho que vai ser aqui em casa. Não pode faltar comida, um vinhozinho e muito conversa boa, risada e sorrisos bonitos de minhas amigas Moema Vilar e Silvânia.

Nem precisamos tirar fotos. Muitas vezes elas atrapalham a espontaneidade do momento e nos mostramos o que não somos. Toda foto é meio uma realidade criada. Nas fotos, somos um personagem.

terça-feira, dezembro 27, 2011

Redes sociais: a face de alguns brutos



As redes sociais são uma vitrine de como nos comportamos e reflexo daquilo que pensamos. Tenho visto de tudo nelas, mas o que me tem chamado a atenção é a forma como as pessoas vêm se comportando em relação à violência e à intolerância. Em nome da liberdade de expressão, escrevem os piores absurdos.

Dezembro foi pródigo em “liberdade de expressão”. Impossível esquecer as dezenas de vezes em que a grande mídia mostrou as cenas daquela enfermeira espancando o Yorkshire até a morte, em Goiás.  Nas redes sociais não apenas as imagens eram compartilhadas, mas a comoção tomou conta dos internautas.  Houve de tudo.


Fazia tempo que não via tanta manifestação de ódio contra uma mesma pessoa. Muitas das criaturas que se expressavam eram adolescentes e até mesmo crianças escrevendo os mais pesados impropérios contra a agressora. Sem contar a quantidade de pais e avós do Brasil inteiro apologetas da violência nua e crua. O que ela fez não dignifica ninguém, pelo contrário.

No entanto, não se pode pedir execução sumária de uma pessoa por ter cometido um crime, em especial num país em que não tem pena de morte e já existe legislação específica para a agressão cometida.

As rogativas eram absurdas. Uns pediam que fizessem a mesma coisa com a enfermeira; outros que tirassem a guarda do filho. Chegou-se ao ponto de desejar que, quando em idade adulta, o filho que presenciou a agressão cometesse crime idêntico contra a mãe.

Na realidade, houve pouco debate e muita selvageria. Poucos foram os que discutiram o comportamento mesquinho e agressivo que temos nos últimos anos, seja contra animais, idosos ou seres indefesos. Quase ninguém discutiu o valor da vida e o fim dos maus tratos de animais ou da crueldade de que alguns são submetidos, a exemplos das mulas e cavalos nas grandes cidades, por carroceiros que os maltratam.

 Muitos dos que pediam a execução sumária da agressora, inclusive amigos meus, já colocaram rojões amarrados nos rabos de gatos ou sal no dorso de sapos, bem como são adeptos de vaguejada e rodeios.

Todos sabem que nos parques de rodeio e vaguejadas touros e cavalos não têm o melhor tratamento. Por que com uns podem e outros não? O que é sofrimento, o que seria atos desumanos? Tourada é bem vista, rinha de galo e de cães pode?  Um amigo muito próximo achou abominável, como de fato é, o espancamento do cãozinho, mas engaiola três pássaros silvestres em casa. É diferente, segundo ele. É?

No mundo virtual, internautas dizem o que querem sem pensar nas consequências de suas declarações. Mais incrível ainda é como as pessoas são violentas ao falarem de violência, como são monstruosas a escrevem nas redes sociais. Será que fato essas pessoas pensam naquilo que escrevem, pedindo linchamento, pena de morte?

Duas semanas depois da agressão do cachorrinho, ouço poucas pessoas falarem em direitos dos animais. Será que todas as pessoas estão, de fato, preparadas para terem pets? Será que percebem que animais, por mais doces, amigável e companheiros não são brinquedos que, tão logo abusemos deles, podemos ir numa loja e comprar outros e nos desfazemos dos “trabalhosos”. Não podemos sair por aí jogando os “brinquedos” que já tínhamos ou nos livrar deles pelo simples fato de fazerem barulho.

Quantos pais que se indignaram com a atitude da “enfermeira monstro” se questionaram se seus filhos estavam prontos para cuidar de um animal ao comprarem um filhotinho lindo de presente de Natal?  Ou será que quando eles começaram a sujar a casa, rasgar os sofás vão atirá-los fora como se fossem lixo?