sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Novo restaurante Naturall’s de Campina Grande



“Você é o que você come”. Há os que dizem que comida saudável é a que não usa carne, pois esse tipo de alimento é matéria em decomposição (blábláblá). Existem, ainda, aqueles que não a comem por questões religiosas ou porque a pecuária devasta enormes áreas para a pastagem e é responsável pelo desmatamento da Amazônia, logo, aquecimento global.

Eu, que estou sem comer carne há mais de um ano, acredito que cada um consome aquilo que lhe faz bem e não prejudica os outros, sejam seres humanos ou animais. No entanto, não abro mão de uma boa refeição. Os muito comedidos que me perdoem, mas a gula é um dos pecados que ainda cultivo. Sou onívoro, como de tudo, abri mão da carne, porém sem me privar da boa gastronomia. E comida vegetariana não é sinônimo de “comida sem gosto”, como pregam por aí.

Para pessoas assim como eu, ovolactovegetarianas, existe mais uma opção em Campina Grande: o Naturall’s Restaurante Vegetariano (self-service), localizado na Rua Vidal de Negreiros, 119, mais ou menos em frente à Loja Maçônica Regeneração Campinense, do lado do Bonno Prato. O restaurante é uma sala estreita que parece uma residência, a não ser pela quantidade de mesinhas, bem limpas e organizadas.

O novo bistrô é pequeno e simples, porém muito aconchegante, tem uma comida deliciosa, e o que é melhor, o preço é bem camarada. O espaço dispõe de almoço, com um cardápio bem variado, sopas, pães, biscoitos e tortas integrais, salada de fruta, sucos naturais, além de açaí na tigela.

O creme de espinafre de lá é uma delícia. É de matar o marinheiro Popeye de inveja. Até o Buttus se encantaria com a gastronomia dali. Uma coisa que conheci no Naturall’s foi uma manteiga de soja muito boa. Para quem procura manter o peso se alimentando bem (que não é meu caso, pois já sou quase uma “Olívia Palito”) ou começar uma nova relação com a culinária vegetariana, o novo bistrô é uma ótima opção.

Estive lá duas vezes e saí feliz da vida: saciado com a boa comida e atendimento, sem contar é claro com o valor justo cobrado pela minha refeição. No primeiro dia paguei R$ 4, 19 (quatro reais e dezenove centavos); no segundo, R$ 5,35 (cinco e trinta e cinco), sem o valor do suco.

Bom, os que já se encantaram pela cozinha vegetariana uma excelente opção, para os que estão em busca de aventurar-se por novas gastronomias, não há mais desculpa esfarrapada para se comer mal em Campina, pois o Naturall’s oferece entrega em domicílio.


SERVIÇO

Naturall’s Restaurante Vegetariano
Rua Vidal de Negreiros, 119 (em frente à Loja Maçônica Regeneração Campinense)
Centro – Campina Grande – Tel.: 9620-3258 e 96207316

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

A multi (cultural) idade do Encontro da Nova Consciência


É incrível como o efeito das “cores culturais” ainda emociona na abertura do Encontro da Nova Consciência. É uma pena que outros religiosos tenham se afastado desse banquete espiritual e holístico, que já acontece há 19 anos. É um sonho quixotesco ver as diferenças culturais  como as línguas, danças, vestuário e mais variadas tradições culturais e religiosas convivendo em harmonia.

Já houve tempo em que católicos, representados pelo bispo Dom Luiz, ou evangélicos, lembrados pelo Pastor Nehemias Marien, da Igreja Presbiteriana Bethesda,  se saudavam reciprocamente como “meu pastor”, dizia o bispo e “meu bispo”, dizia o Pastor.  Tempos que era melhor estar juntos em vez de fazer seus des(encontros). Mas,  não lamentemos.

Mesmo com as ausências, a exemplo de Iyá Sandra, da Tradição de Orixá, o evento não deixou de cumprir seu papel no fortalecimento do diálogo.  Já   na noite de abertura, tivemos a apresentação da indiana Ratnabali, que nos mostrou músicas devocionais   e tradicionais indianas, além de uma versão da Asa Branca, mostrando que Índia e Brasil são próximos em suas manifestações. A cítara, como chamou atenção minha amiga Regina Albuquerque, lembrava nosso cantadores de viola, com seu Martelo agalopado, um estilo de poema utilizado por cordelistas e cantadores, nos improvisos. Ou mesmo o hármonium, instrumento de  som parecido com o de nossa sanfona.

O Encontro deste ano, como o tema “SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SÓCIO-AMBIENTAL” serviu para mostrar que temos uma essência comum, uma origem comum: vivemos no mesmo planeta e a natureza não impôs que determinado grupo seria melhor que outro. Nascemos em determinados localidades, mas somos seres planetários. Habitamos um organismo vivo (hipótese de Gaia). O Planeta Terra não é um amontoado de rochas e água: é um ser vivo, e se interrelacionando mutuamente. Qualquer desequilíbrio causa outro e outro em uma reação em cadeia. O que faz pensarmos que como partes desse ser vivo, precisamos nos comunicar e trocar “informações” para nossa própria sobrevivência.

Só podemos viver se estivermos próximo uns dos outros.  Dependemos do outro para sermos quem somos. É o olhar e conhecimento do outro sobre nós o que nos torna indivíduos. Sem ou outro, somos coisas.

Para o filósofo Matin Buber, não há existência sem comunicação e diálogo e que objetos não existem sem a interação. O homem possui a capacidade de interrelacionamento com seu semelhante, ou seja, a intersubjetividade, a relação entre sujeito e sujeito e/ou sujeito e objeto. O relacionamento acontece entre o Eu e o Tu, e denomina-se relacionamento Eu-Tu. A interrelação envolve o diálogo, o encontro e a responsabilidade, entre dois sujeitos e/ou a relação que existe entre o sujeito e o objeto.

Essa noção de conviver e respeitar o outro já estava nos textos de Sócrates e nos evangelhos do Cristo, mas surge com a  ética  da preservação do indivíduo como eco da criação no textos do filósofo franco-lituano Emmanuel Lévinas. Para ele, a Ética (consciência moral) e não a Ontologia (parte da filosofia que trata do ser quanto ser) é a Filosofia primeira. É no face-a-face humano que se irrompe todo sentido. Diante do rosto do Outro, o sujeito se descobre responsável e lhe vem à idéia o Infinito.

E o que isso tudo tem a ver com o encontro da Nova Consciência? Tudo. Este projeto de sustentabilidade espiritual/ético/ecológica parte da premissa que é preciso conhecer o outro, valorizá-lo para  preservá-lo. Mas não é uma preservação de museu, intocável, como se faz com uma pedra, um inseto ou um artigo de coleção. É a preservação dos valores do outro, de suas manifestações culturais. E a valoração só é possível com convivência, com a interrelação.

 Dessa forma, colocamo-nos como responsáveis por todos e, juntos, pela preservação da Terra. Levando em conta que a ecologia ("oikos" = casa) + ("logos" = saber, estudar), portanto, do estudo do local onde vivemos, ou seja, ecologia é a ciência que estuda os seres vivos em "suas casas", no meio em que vivem.

Esse ponto de vista leva-nos a Humberto Maturana, biólogo chileno, que  acredita que “O educar se constitui no processo em que a criança ou o adulto convive com o outro e, ao conviver com o outro, se transforma espontaneamente, de maneira que seu modo de viver se faz progressivamente mais congruente com o do outro no espaço de convivência”.

Assim, pouco ou nada importa se o outro é cigano, índio, budista, católico, judeu, hippie ou com qual grupo esteja identificado. Devemos sempre vê-lo como humano, um  ser planetário como eu. Sua preservação é tão importante quanto a minha na história da humanidade. Todos somos um, unos e diversos. É essa a lição que o Encontro da Nova Consciência nos deixa depois de quatros dias transitando e aprendendo com todas essas culturas todas.  

Vida longa ao encontro!

Axés!  Ahô!  Hare krshna! Ja selassié!  Amém!  Shalom! Insha'Allah!

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Um novo sentimento invade as ruas da cidade

A vida nos oferece oportunidades incríveis. Ontem tive uma destas. A convite de Moema Vilar, advogada que abraçou as leis da arte e da produção cultural, para assistir ao ensaio de A Valsa de Molly, uma banda campinense que foge às classificações de estilos musicais, lá no porão do antigo MAAC (Museu de Arte Assis Chateaubriand). Já havia visto uma performance do grupo, mas não conhecia seu processo criativo.

Após descermos as escadas do porão, os músicos começam a abrir os cases e desembainhar os instrumentos. Numa espécie de palco, a banda vai sendo formada. É um violão que dá um acorde aqui, um baixo afinando acolá, um grave de um tambor, um prato em seguida, anunciando que a bateria já está quase pronta. A vocalista testa o microfone.

Pronto. Uma corda do violão arrebenta. Hora de pedir socorro aos amigos e pegar outro emprestado, vida de músico em início de carreira não é fácil. Meia hora depois e com novo violão, Alexandre Lima (Marxuvipano) começa, timidamente, os acordes que lembram um samba carioca, com a pimenta pernambucana de Lenine. O baixo de Fábio Araújo (novato no grupo) segue de cordas/mãos dadas; no meio do caminho, são acompanhados pela bateria de Thiago Fernandes. E para completar o quarteto, a voz suave e quase aveludada de Katarina Nepomuceno. Quando as coisas estão começando a fluir, uma pausa: “o violão está muito baixo”, reclama a vocalista. Thiago confirma.

Enquanto isso, eu, observando, me sento no tablado de madeira, relembrando nossas aulas do curso de formação de atores para cinema (ministrado pelo jovem cineasta André da Costa Pinto). Começo a ouvir o encadeamento dos sons que ganham vida e vão ficando harmônicos, percebendo-se já os temas e variações da música.

Às minhas costas, vê-se um banner do Grupo Acauã da Serra, para mostrar que aquele espaço é um laboratório de arte, e Moema fotografando tudo, como se quisesse registrar as notas desferidas. É muito gratificante ouvir músicas sendo criadas/aperfeiçoadas, tomando corpo, como debutantes a serem apresentadas no seu baile apoteótico. Saber que se está ouvindo coisas que o grande público só sentirá em alguns dias, depois de lapidadas e bem polidas, tal qual diamante.

Levanto-me e perambulo pelo espaço procurando compreender o momento ímpar. O tablado agora vazio assiste aos músicos, quase sussurrando pelos bailarinos do Acauã da Serra que dariam visibilidade àqueles sons, como dizia um papelzinho grudado no mural à esquerda do palco: “dança é música visível”.

Quem passava ao redor do porão, que dá para o Parque Evaldo Cruz (Açude Novo), deveria imaginar o que estava escrito em outro lembrete, também afixado com percevejos no mural: “quem não ouve a melodia acha maluco quem dança”. Já meus dedos teimavam em seguir o baixo e a bateria: um casamento de harmonia. Meu corpo ouvia a música e sabia que aqueles fragmentos temporais (compassos) não eram o mesmo das valsas de Johann Strauss, mas aquela repetição temporal me dava uma vontade de preencher aquele tablado, agarrar Moema e coreografar os TA ta Ta ta | TA ta Ta ta | TA ta Ta ta |.

Com o violão novamente afinado, Alexandre volta e o ensaio recomeça. Em um solo rápido e muita desenvoltura no dedilhado, “essa parte da música é em SI?”, pergunta o baixista que o está acompanhando. E dessa forma a Jam Session continua, com pausas para discutir as batidas e passagens da música.

Agora os músicos apimentam as composições, colocam uma bateria mais rápida, uma batida mais rock&roll, Katarina dar uns agudos a la Janis Joplin ou vocalizações à Nina Simone. Moema era só sorriso, feliz da vida em produzir A Valsa de Molly.

Porém, e sempre tem um porém, quando tudo parecia perfeito, mais uma corda do violão de Alexandre é rompida. Para quem pensou, como eu que assisti a cena com desânimo, que o ensaio ia acabar, ledo engano. O violonista não parou. Passou a executar as músicas com uma corda a menos, como se o instrumento só precisasse de cinco cordas para dar as sete notas da escola musical.

O trabalho continuou. De repente os dançarinos do Acauã chegaram de uma apresentação na FIEP (Federação da Indústria do Estado da Paraíba) e começaram a balançar suas roupas vibrantes e coloridas dando vida ao ambiente e fazendo o tablado ranger, mostrando que não há fronteira para a arte e a Valsa contagia os “bailantes” da dança popular.

A Valsa de Molly é uma banda de Campina Grande, formada pelos músicos Katarina Neppma (vocal), Fábio Araújo (músico convidado), Alexandre Lima (violão) e Thiado Fernandes. O grupo já se apresentou várias vezes em Campina Grande. As batidas pulsantes, acordes bem elaborados e a linda voz de Katarina serão ouvidos no dia 13 de fevereiro, à 00h, no Bronx (Avenida Getúlio Vargas, Bar dentro da programação do Grito do Rock.

Quem quiser conhecer os sons da banda, é só acessar o myspace da Valsa

Ao som da VALSA, seja feliz!

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Tudo que é meu, carrego comigo

Imagine-se naqueles dias em que passamos na Praça da Bandeira e vemos uma cachorrinha vira-lata, no fim da tarde, olhando o movimento dos estudantes que descem dos ônibus para comer em rápidas abocanhadas um “dogão”, antes da primeira aula. A pequena Baleia repara os carros que sobem a Floriano Peixoto, observa ainda, levantado o focinho, o já famoso chapéu de couro de Mestre Biliu, como se ela fosse o mais humano dos seres? “Saber que um cachorro entende a linguagem que os seres humanos já nem sabem” (Bráulio).

Ou ainda naqueles momentos em que passamos pela catedral e observamos que tem um mendigo rezando (de joelhos) do lado de fora, com mais fervor que os cavalheiros e suas damas bem trajados. E ainda o vemos agradecendo, com gestos singelos, pela vida difícil que (sobre)vive.

No entanto, me delicio quando passo perto de um “louco” e ele me diz as mais belas coisas sobre a vida e sua complexidade. Sei que, como diz Bráulio Tavares, “os loucos e os visionários são o dicionário dos sonhos de Deus”. Aprendo mais com eles do que com toda a filosofia de Descates. E esses dicionários ambulantes sabem que existem, mesmo sábios e doutores dizendo que eles não pensam.

Para você, que ainda se emociona ou acha graça nestas coisas, o “Carrego comigo” surgiu para nós. Há muito tempo, esta é minha frase muleta. Bias de Priente, um dos sete sábios da Grécia, quando Ciro da Pérsia estava prestes a invadir sua cidade e os habitantes se esforçavam para levar consigo o que podiam, disse apenas: “Tudo o que tenho (de valor) carrego comigo”. Dito em latim fica mais solene: “Omnia Mea Mecum Porto”.

Os Franciscanos souberam melhor usá-la, ao pregarem a pobreza material e a riqueza de práticas fraternas. Para eles, só se podia chamar de “seu” aquilo que pudesse ser carregado pelo dono: o uso fruto era apenas um direito.

Em outro sentido, carregamos conosco tudo que temos, nossos medos, préconceitos e conceitos estabelecidos em anos de “cultura”. Não pretendo parecer sábio nem passar minhas “verdades” a qualquer pessoa. Quero dividir “o que tenho” com aqueles que estão dispostos a ler.

Este será mais um diário de meus apontamentos, sabendo que um ponto de vista é a visão de apenas um ponto. Comentários serão bem vindos. Críticas serão aceitas e analisadas, bem como as sugestões.